Os teatros no tempo de Shakespeare, Barbara Heliodora.

A forma do teatro elisabetano é diferente de tudo o quanto se criou de espaço cênico antes ou depois dele, tendo nascido, como o “corral” espanhol – a forma que mais se aproxima dele – da experiência e das necessidades do ator. Quando, ainda no século XIV, os primeiros artesãos que tomavam parte em espetáculos religiosos resolveram se tornar profissionais de teatro, eles aprovei- taram, da tradição dos “ciclos” religiosos, o uso das carroças (chamadas pageants, palavra até hoje usada para carro alegórico) que serviam de palco, passando a usá-las também como transpor- te e camarim, quando não de abrigo.

Abandonando as corporações que apresentavam os clássicos ciclos bíblicos, os novos “atores”, ainda simples saltimbancos – “homens sem amo”, como eram chamados por não pertencer a nenhuma organização estabelecida – foram proibidos de apresentar textos religiosos, o que os privava do repertório já conhecido. Essa proibição, no entanto, teve a grande vantagem de tornar indispensável o aparecimento de novos autores, pois só um repertório variado permitiria ter duas ou três noites de espetáculo em um mesmo local. A par disso, é claro, os atores e o espetáculo também precisaram ser aprimorados, já que a atividade teatral perdia a platéia cativa das comemorações religiosas, e passava a viver, como até hoje, da bilheteria.

Os teatros no tempo de Shakespeare -.pdf (Download do capítulo completo)

(capítulo do livro Shakespeare, sua época e sua obra, com a permissão da autora,
Barbara heliodora, e das editoras, Marlene Soares dos santos e liana leão).

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