Contextualização das passagens interpretadas nos vídeos – Charles Fricks como Leontes e Verônica Reis, como Hermione, em O conto do inverno

TRECHOS EM VÍDEO COM CHARLES FRICKS COMO LEONTES (Ato 1, cena 2) E VERÔNICA REIS COMO HERMIONE; CONTEXTUALIZAÇÃO EM VÍDEO PELO PROFESSOR E TRADUTOR DR. JOSÉ ROBERTO O´SHEA. 

O´Shea compara cenas congêneres de outras peças de Shakespeare em que uma mulher e/ou rainha recorre a um soberano/comandante para se defender de uma acusação. As cenas semelhantes são: Catarina de Aragão, em Henrique VIII, se defende de acusações; Tamora, em Titus Andronicus, defende a vida do primogênito, no início da peça; Cleópatra, em Antônio e Cleópatra, diante do jovem Otávio César defende a possibilidade de ela ou seus filhos contiuarem no comando do Egito; e, finalmente, O conto do inverno, Hermione, acusada de adultério e traição., se defende. O professor José Roberto O´Shea lê o texto da acusação, em sua tradução, depois, comenta a estrutura em três partes da auto-defesa da rainha e lê o trecho do oráculo.

O ciúme e acusação de traição e adultério de Leontes – Nos reinos da Sicília e da Boêmia, a peça conta a história de reis amigos desde a infância: Leontes (Rei da Sicília) e Políxenes (Rei da Boêmia). A amizade entre os dois termina quando Leontes, com ciúmes doentio da amizade entre sua esposa Hermione e o rei Políxenes, acusa-a de ser infiel. Aqui, Charles Fricks interpreta a cena em que Leontes observa a esposa e Políxenes conversarem. Se na primeira aparição na peça, Leontes se mostra afetuoso com Políxenes e com a esposa, aqui vemos um momento de mudança súbita, em que ele é dominado por ciúmes injustificados, que o levam a romper com o amigo e ordenar a prisão da esposa. A solução deste enredo precisará aguardar dezesseis anos. O Tempo, que cura todas as feridas e resolve todos os conflitos, aparece como um personagem/coro. Saltamos dezesseis anos. Depois de reencontros, esclarecimentos e pedidos de perdão, os reis da Sicília e da Boêmia fazem as pazes, a estátua de Hermione (que Leontes acredita morta) ganha vida. A Rainha Hermione perdoa o marido. Perdita, a criança perdida, é encontrada. Os herdeiros dos dois reinos, Perdita e o príncipe Florizel, se casam, celebrando a amizade entre os reis.

Julgamento da Rainha Hermione – Leontes, com ciúmes doentio da amizade entre sua esposa Hermione e Políxenes, acusa-a de ser infiel. Hermione, que é inocente e está grávida, defende-se com veemência das acusações. Ela termina presa, e a solução deste enredo precisará aguardar o Tempo, que cura todas as feridas e resolve todos os conflitos. O Tempo aparece como um personagem/coro que faz saltar dezesseis anos, para a Boêmia de festas e danças alegres. Depois de reencontros, esclarecimentos e pedidos de perdão, os reis da Sicília e da Boêmia fazem as pazes, Hermione, supostamente morta, volta à vida e perdoa o marido e Perdita, a criança perdida, é encontrada. Os herdeiros dos dois reis, Perdita e o príncipe Florizel se casam,celebrando a amizade entre os reinos.

SOBRE Charles Fricks –  indicado diversas vezes à prêmios teatrais importantes, recebeu duas vezes o Prêmio Shell de melhor ator e uma vez o prêmio APTR de melhor ator, entre outras prêmiações. ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Fricks

  MAIS SOBRE A PEÇA

O conto do inverno foi publicada pela primeira vez no Fólio de 1623. É uma peca tardia, considerada um “romance” ou tragicomédia, junto com Péricles, A tempestade e Cimbeline. Foi provavelmente escrita em 1610 ou 1611.
Nos romances, Shakespeare dá asas à imaginação, desafiando a verossimilhança; a plateia precisa se deixar levar pelos elementos mágicos (seres sobrenaturais, divindades, estátuas que retornam à vida) e aventuras inesperadas (viagens, naufrágios, tempestades, perseguições de urso) do enredo. As mortes podem ser só aparentes aparentes e, ao final, as famílias se reúnem e se perdoam mutuamente. Isto não significa que os temas tratados nestas peças não sejam sérios e profundos. O conto do inverno aborda, por exemplo, a morte e a perda de crianças (Mamilius morre e Perdita, como o nome indica, é perdida, e muito anos depois, recuperada).

SOBRE A PRIMEIRA MONTAGEM PROFISSIONAL BRASILEIRA – O conto de inverno, na premiada tradução de José Roberto O`Shea, foi dirigida por Daniel Herz e protagonizada por Charles Fricks e Verônica Reis em 2004. A montagem contou com a consultoria teórica de Marlene Soares dos Santos (professora Emérita da UFPR)

  • NESTE website e em https://www.youtube.com/user/shakespearedigital
  • 2 vídeos com Charles Fricks interpretando Leontes em outro momento da peça
  • vídeo com Verônica Reis interpretando a Rainha Hermione
  • vídeo com o tradutor Jose Roberto O`Shea ( O conto do inverno, Editora Iluminuras, 2009).
  • Em breve: vídeo do diretor Daniel Herz comentando aspectos da montagem.
  • EM OUTROS CANAIS: 
  • No website Atores de Laura, veja ficha técnica e críticas sobre a montagem de 2004: http://www.atoresdelaura.com.br/espetaculos/o-conto-do-inverno/
  • Vídeo da montagem de 2004: http://globalshakespeares.mit.edu/winters-tale-herz/

MAIS SOBRE O ASSUNTO: entrevista com tradutor: http://www.jornalplasticobolha.com.br/pb26/entrevista.htmhttp://wwwww.dicionariodetradutores.ufsc.br/pt/JoseRobertoBastoOShea.htm
https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/download/…/5001www.dbd.puc-rio.br/shakespeare/…/traducoes_publicadas_por_peca.pdf‎

O TRADUTOR: O´Shea é PhD em Literatura Inglesa e Norte Americana pela University of North Carolina (1989) e realizou três estágios de pós-doutoramento: dois no Shakespeare Institute-University of Birmingham (1997; 2013) e na University of Exeter (2004). Foi bolsista da Folger Shakespeare Library (2010). É Professor Titular na Universidade Federal de Santa Catarina, onde atua em pesquisa, orientação e ensino em Literatura de Língua Inglesa, nos temas : Shakespeare, Performance, Escrita Acadêmica e Tradução Literária. Pesquisador do CNPq , com projeto de traduções em verso e anotadas da dramaturgia shakespeariana, tendo publicado: Antônio e Cleópatra; Cimbeline, Rei da Britânia; O conto do inverno; Péricles, Príncipe de Tiro; Hamlet, o Primeiro In-Quarto; Os dois primos nobres.

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